Dia 13/04 (sábado), às 18h, na Pça. Inácio Antonio da Silva
O Olhar do Outro está entre os 19 grupos que se utilizarão dos espaços públicos da capital gaúcha como cenário no 5º Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre, que acontecerá em abril. O grupo participará juntamente com companhias vindas da França e Espanha e também dos estados de São Paulo, Santa Catarina, Ceará e Minas Gerais e Rio Grande do Sul, é o primeiro grupo de Pelotas a participar deste evento.
Em cena, envolvidos pela atmosfera sensível e simbólica de “A Gaivota” há quatro atores que passam a revelar suas identificações com os personagens do livro de Tchekhov. Ao exporem suas próprias questões, os atores envolvidos neste trabalho permitem-se uma aproximação mais íntima com o texto. Desta forma, durante a peça há evidentes transições entre atores e personagens. Embora a dramaturgia traga para as cenas questões inerente à atividade do artista e, de certa forma, conduza o público à reflexão do que é ser ou “querer tornar-se” ator, ela ainda apresenta uma relação profunda entre as frustrações dos personagens de “A Gaivota” com as sutilezas emocionais que também fazem parte da realidade e do cotidiano dos atores envolvidos. Em “Olhar do Outro”, simbolicamente sonhos se apresentam através de projeções que revelam o sensível do artista.
“O projeto Olhar do Outro foi concebido como um trabalho de pesquisa que partiu de “A Gaivota” de Anton Tchekhov rumo a uma investigação de caráter interdisciplinar, buscando uma possível abordagem para a relação cena, cidade e vídeo-projeção. Neste trajeto, navegamos nas profundezas de Nina, Trepliov e Arkádina – figuras foco desta composição – o que nos conduziu a uma inevitável reflexão sobre a condição do artista.
“O espetáculo “Olhar do Outro” busca estabelecer a reflexão sobre aspectos interdisciplinares da criação em arte. Visa, portanto, problematizar o desejo das artes contemporâneas em diluir suas fronteiras. Desta forma, trata-se de uma proposta que foi gerada a partir de uma pesquisa interdisciplinar onde se pretendeu estudar as conexões entre o fazer teatral e o vídeo como suporte.”
Ficha técnica:
Direção: Alexandra Dias;
Elenco: Ana Laura Barros Paiva, Juliano Bohn Gass, Lumilan Noda e Tatiana Duarte;
Dramaturgia: O grupo a partir de “A Gaivota” de Anton Tchekhov, de Rubens Figueiredo e de “Os Filhos de Kennedy” de Robert Patrick;
Concepção e operação de luz: Tatiana Sato;
Cenário: Alexandra Dias;
Figurino: O grupo e Larissa Martins;
Costureira: Larissa Martins;
Trilha sonora original e Vídeos: Thiago Rodeghiero.
Esse personagem, popularizado na antiga série de desenhos infantis, tem aparecido no meio da criançada que brinca e estuda na praça Inácio Antônio da Silva, em Belém Novo. Como fica bem no alto no tronco das palmeiras, pouco é avistado e nem liga para bolas, bicicletas ou correrias que por ali passam.
É um Pica-pau-verde-barrado, mais um bichinho interessante que habita nosso bairro. Para ter mais informações sobre a espécie, consulte no site/enciclopédia de aves Wiki Aves (http://www.wikiaves.com.br/pica-pau-verde-barrado).
Inácio Antônio da Silva, doador das terras para a fundação de Belém Novo e Presidente da Comissão construtora da Igreja Nossa Senhora de Belém
BELÉM NOVO, breve comentário acerca do seu surgimento.
Luiz Alberto Koller – Professor de História
O surgimento de Belém Novo tem uma causa remota e outra recente. Aquela, a remota, é dos meados do século XVIII, com a instalação de estâncias nas terras dos “Campos de Dentro de Viamão”, por gente vinda de Sorocaba, Santos e Laguna. Esta, a recente, da decadência social e econômica de Belém Velho e um cisma religioso havido entre seus habitantes, nos anos 60 do século XIX.
Resumidamente, estes são os fatos:
Como é do conhecimento mais ou menos geral, a história de Porto Alegre, que incrivelmente inclui Belém Novo como um dos seus distritos (embora tenha problemas de município, população de município, arrecadação tributária e está distante quanto Gravataí ou Canoas em relação à Capital), processou-se através de três fases da sua evolução: o povoamento, a colonização e a fundação oficial. O embrião de Belém Novo surgiu na primeira fase, teve escassa participação na segunda e nenhuma na terceira.
Por volta de 1730/32, desceram de Viamão, para estarem mais próximos do atracadouro às margens do Guaíba (futuro porto) que os ligassem mais facilmente com Rio Grande, Triunfo e Rio Pardo, os lagunistas Jerônimo Dornelles (também dito Dorne/la), Sebastião Chaves e Dionísio Rodrigues Mendes e instalaram suas três históricas estâncias (Santana, São José e São Gonçalo) na área que hoje compreende a cidade de Porto Alegre.
Na mesma época, desceu o casal Diogo da Fonseca Martins e Ana da Guerra Peixoto, também lagunista, que seguiu mais para o sul do atracadouro, ocupando ai terras realengas, no lugar denominado Rincão Grande que, como mais adiante veremos, chamar-se-ia Belém Novo, o sexto nome da povoação. Estas terras eram lindeiras à estância de Clemente Francisco Manoel, hoje compreendendo a propriedade da família Difini, na ponta do Cego, junto ao Lami, tendo em frente uma ilha com o nome do primitivo estancieiro.
Era o momento da criação de grandes estâncias na região. Em 1790, estando já viúva, Ana Guerra vendeu a estância para o viamonense Antônio Cardoso da Silva, genro de Agostinho Guterres, outro grande estancieiro regional. Ana Guerra I faleceu em 1791 com mais de cem anos.
Casa de Ignacio Antônio da Silva, Belém Novo, casa que existia ao lado do Hotel Cassino. Foto de pintura enviada por Cristiano Ignacio da Silveira Goulart, tetraneto do fundador de Belém.
O tempo avançou e se sucederam os proprietários da primitiva estância do lagunista. Por volta dos anos 60 do século XIX, Inácio Antônio da Silva, anteriormente vindo de Viamão, onde nasceu em 15.07.1837, para Belém Velho, adquiriu a estância. Agora, a antiga região conhecida por Rincão Grande era chamada de Arado Velho e a estância era conhecida por “Morrinho” , cuja sede e futura residência de Inácio Antônio localizava-se onde hoje está o velho prédio do antigo Hotel Cassino, enfrente à Sociedade Polonesa (onde Inácio Antônio explorava sua olaria). Quando mais tarde, em 1880, se transferiu a freguesia de Belém Velho para as terras de Inácio Antônio, o local passou a chamar-se Belém do Guaíba, logo em seguida Nova Belém e, finalmente, Belém Novo.
Inácio Antônio da Silva prosperara com negócios de atafona, olaria, pecuária e agricultura, cujos produtos eram comercializados nas praças de Barra do Ribeiro, Tapes, Rio Pardo, Triunfo e até Rio Grande, comércio este feito por água, com frete bastante alto tendo em vista os custos de operacionalidade. Para a capital da Província também usava-se o comércio fluvial. Entretanto, era mais em conta fazê-lo pela estrada da Cavalhada (não confundir com a atual Estrada Juca batista) que, com pequenas alterações, hoje é conhecida por parte das estradas Francisca de Oliveira Vieira (mandado abrir por Inácio Antônio), Chapéu do Sol, Estrada Edgar Pires de Castro e todo o traçado da Estrada Costa Gama, de onde os comerciantes belendrengues, passando pelo bairro da Glória (atual Avenida Oscar Pereira), chegavam com suas carretas aos campos da Azenha, mais ou menos onde hoje está localizado o Estádio Olímpico, onde estacionavam e, à céu aberto, comercializavam suas mercadorias.
Inácio Antônio, homem de personalidade marcante, embora muito jovem, pois não fizera 30 anos ainda, já liderava um grupo de aproximadamente 150 proprietários rurais que, como ele, tinham ânsia de prosperar e fazer crescer o povoado. Todos comercializavam, além de farinha de mandioca, tijolos e telhas, muito trigo, cavalos, mulas e éguas para Porto Alegre. Destaca-se aí, ainda que de modo rudimentar, um primeiro fato histórico importante: o surgimento de Belém Novo com uma economia própria e peculiar, baseadas nas potencialidades econômicas locais e tendo como base de intercâmbio o seu porto (hoje sem vestígios materiais, mas que se localizava nos fundos da Sociedade Polonesa).
Por esse tempo, a povoação de Belém Velho, que desde 1846 já era freguesia, entra em decadência social e econômica, e principia a estacionar. A Igreja Matriz, construída com muito sacrifício pelo ano de 1852, tendo como base uma capelinha levantada em 1824, ficou sem vigário desde 1858. O fato irritava a população. E, para agravar a situação, a igreja começou a apresentar defeitos de estrutura, culminando por desabar na madrugada de 22 de fevereiro de 1872. Então estourou o cisma religioso.
Os moradores do Arado Velho, liderados por Inácio Antônio, sabedores do que acontecia em Belém Velho, influíram no espírito do Governo provincial e conseguiram a promessa de transferência da freguesia Nossa Senhora de Belém para um lugar de mais futuro e de mais fácil acesso às margens do Guaíba. Inácio Antônio ofereceu então, para a consecução do projeto, parte das suas próprias terras e o governo as aceitou. Pelas leis provinciais n° 616, de 12 de outubro de 1867, e n° 764, de 04 de maio de 1871, foi autorizada a transferência da freguesia.
Igreja N. Sra. de Belém Novo, fotografada da casa de Inacio Antônio da Silva. Na época, a praça ainda não existia.
Inácio Antônio da Silva e sua mulher, Anna Correa da Silveira, cujos ancestrais vieram dos Açores doaram então, por escritura lavrada em 10 de julho de 1876, as terras para o assentamento da nova freguesia. Eram 16 hectares onde seriam levantados uma praça, uma escola, uma repartição pública, o cemitério e a igreja com a casa paroquial, tudo conforme compromisso assinado pelo casal em 28 de outubro de 1875. E assim se fez, tudo sob a supervisão de Inácio Antônio. Ele, além de doar as terras, ainda ajudou com 500 mil réis na construção da igreja.
A igreja teve a pedra fundamental lançada em 25 de setembro de 1876, mas sua construção somente iniciou-se em fevereiro de 1877. E a 02 de fevereiro de 1880, a capela-mór estava concluída e o cemitério implantado. A 14 do mesmo mês, por ato do Presidente da província, Dr. Carlos Thompson Flores, e por provisão eclesiástica do bispo diocesano, Dom Sebastião Dias Laranjeias, foi efetivada a transferência da freguesia Nossa Senhora de Belém para o Arado Velho, ou melhor, Belém Novo.
Passava a existir oficialmente Belém Novo!
Umas das primeiras casas do bairro. Na época, a Praça Inácio Antonio da Silva ainda não existia.
Em 07 de março de 1880, o padre Ramão Rodrigues Fuentemayor Herze benzeu solenemente a nova igreja e o cemitério. A 10 de abril foram transladadas de Belém Velho para Belém Novo as imagens de Nossa Senhora de Belém, de São José Ia do Espírito Santo.
Inácio Antônio da Silva é, por todos os méritos, o grande e fundamental fundador de Belém Novo. Seu nome, seu empenho em desenvolver a povoação e a epopeia da construção da igreja são a própria essência da existência do Distrito. Ele é a alma belenense de quantos hoje habitam este primitivo torrão de marcada essência lusitana, que busca, certamente, um dia alcançar a sua maioridade administrativa, tornando-se um município próspero e evoluído.
Propulsor que foi do início da povoação e artífice do seu desenvolvimento, Inácio Antônio da Silva esteve até 1894 à testa da Comissão de Construção da Igreja, quando seriamente doente retira-se da empreitada. Falecendo aos 82 anos, a 7 de setembro de 1915, estando enterrado junto a sua mulher, Anna Correa da Silveira, no cemitério por ele construído (quem entrar no cemitério logo verá, à esquerda, o túmulo). Anna Correa da Silveira, como seu marido, também era viamonense, nascida em 11.08.1829 e falecida em 29.10.1906, em Belém Novo.
Cap. Eustachio Ignacio da Silveira em frente a sua casa em Belém Novo. Foto anterior a 1926 (ano em que faleceu), enviada por Cristiano Ignacio da Silveira Goulart, seu trineto.
O casal Inácio Antônio da Silva e Anna Correa da Silveira teve três filhos, a saber: Alfredo Inácio da Silveira, casado com Zulmira Viegas; Eustáquio Inácio da Silveira, casado em primeiras núpcias com Palmira Vieira da Rocha e em segundas com Eleutéria Rocha, sua cunhada, e Maria Inácia da Silveira, casada com Joaquim Martins da Silva, todos com grande e conhecida descendência, não só em Belém Novo, mas como em toda a região.